24 de novembro de 2009

Primeiridade, Secundidade, Terceiridade.



Primeiridade

É monádica (mônada): não tem unidade nem parte. É indivisível.

A Primeiridade é pura possibilidade, aquilo que é em si mesmo sem relação com nenhum outro. Aquilo que ainda não é. É o poder ser.

Consiste no presente imediato. É potencialidade abstrata. É em si. O primeiro não pode ser articuladamente pensado. Não pode ser descrito (“pense nele e ele já voou, diz Santaella) mas pode ser imaginariamente criado .

O primeiro é aquilo que é tal qual é, idependente de outra coisa. É o puro sentir. É qualidade de sentimento. É novidade, vida, liberdade. É a sensação pura sem percepção objetiva, vontade ou pensamento.


EXEMPLOS:

* artista é voltado para a primeiridade

* doridade (qualidade geral da dor)

* os momentos privilegiados em que a consciência é tomada pelo sentimento

* qualidade de sentir: sabor do vinho, gosto de cereja, cheiro de jasmim...

* aquela ausência quando a gente acorda e não sabe onde está

* nuvens passando formando imagens que logo mudam

* o presente é primeiridade


Secundidade

É diádica. Real, concreta, factual, atual.

A Secundidade está baseada no conflito. Temos nela ação e reação dos fatos concretos. Tem relação com os conhecimentos já adquiridos. Mundo físico, mundo da matéria. Qualquer relação de dependência entre dois termos é relação diádica, isto é, Secundidade (marido/mulher, alto/baixo, Bem/Mal...)


EXEMPLOS:

* o estado de vigília é secundidade (é uma consciência de reação)

* memória é secundidade

* o jornalista é voltado para a secundidade

* “tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra”


Terceiridade

É triádica.

É generalidade, infinitude, síntese, hábito, tempo . É representação. É interpretação do mundo.

O terceiro é aquilo que une um primeiro e um segundo em uma síntese através da mediação (ação inteligente). Precisa do agente semiótico, que pode ser qualquer organismo.

A terceiridade é a representação , um caminho com um destino, mas apresentando diversas vias opcionais Diante do fenômeno a consciência produz algo, um signo.

O signo é a concepção mais fácil de compreensão da Terceiridade.


OBS: O terceiro pressupõe o segundo e o primeiro; o segundo pressupõe o primeiro; o primeiro é livre.

Um comentário:

pn disse...

Achei muito bacana o jeito claro, objetivo e poético que vcs encontraram para explicar esses três conceitos de Peirce.
Muito obrigada!
Patrícia